09/06/2012

eu.


Semicerras os olhos enquanto escreves.
Preparo-me para te ouvir e espero
a verdade e só a verdade.
Bom princípio esse, o da honestidade.
Demoras, mas manténs um ar apressado.
Ajeito-me para ficarmos mais à vontade.
Falas de ti.     
Gostas da pouca idade que carregas, porém
a vontade de ter vivido noutros tempos
não a escondes.
Ferves em pouca água, sabes disso.
É-te difícil não reagir ao que vês e ouves.
Nunca estás satisfeita e culpas-te
pelas expectativas altas,
não sabes não ser assim.
Hesitas, mas continuas.
Falas dele,
do de agora.
Rio-me, com alguma ironia,
confesso.
(és rápida nas paixões,
sempre foste!
Tenho dificuldade em acompanhar-te.)
Dizes não pensar em casar, queres namorar
queres mimos e mensagens
no fim dos telefonemas
beijos e abraços
pelas costas.
Arrasto-me para mais perto
(do teu bafo, do teu calor, do teu corpo, de ti.)
Não esperavas a aproximação.
Quebras o ritmo,
baixas o tom.
Reparo então que estás diferente.
Cresceste!
Não sei do que falas agora.
Dizes não querer coçar só quando houver comichão
Tu queres
coçar até fazer ferida.
Tencionas viajar… conhecer,
conhecer será a tua prioridade
depois voltas, tens a certeza.
Calas-te
e eu também.
Olho o relógio
que teima em não se adaptar às nossas conversas.
O tempo voa,
é o que dizem
não é?

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