Tomas banho mais tarde porque é de noite e podes lavar os cabelos, os dentes e a alma debaixo do chuveiro. Evitas pôr música para não acordar os outros e para eles não te acordarem a ti, aos teus pensamentos.
Estás fresca mas exausta. Pensar cansa, mói - pensas nisso. Vais buscar - nua e descalça - uma toalha e um pijama. Estás bem assim, molhada e despida, e queres aproveitar isso enquanto podes, então, não te vestes. E passeias o corpo nu pela casa, que dorme. Estás mais leve. Ou livre. Mas dás o primeiro espirro, depois o segundo. E mais outro. Está bem! Vais-te vestir. Rendes-te á roupa mas resistes aos cremes, que alguém te deu a experimentar. Olhas para eles com algum desdém, até – sempre olhaste. Já viste? Nunca ninguém é quem quer ser - pensas nisso. E, agora de baixo dos cobertores quase sem luz, escreves sobre isso. Endireitas-te na cama e ajeitas os óculos de vez em quando.
Reparas que o dia está a nascer e tu ainda para dormir. Soltas um foda-se dos teus, daqueles seguros. Não tens pressa, mas porra, não queres perder tempo. No entanto e entretanto, derrotada pelo sono, adormeces. E dormes uma manhã.
Acordas com os olhos colados, quase ensopados. Choraste? É que choras muito, à noite.
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